quarta-feira, 19 de outubro de 2011

"Nunca estamos preparados para perder..."


Foram exatamente três meses de planejamento. Três meses de pesquisa, estudando os modelos que trariam maior comodidade. Três meses de reservas. Esses três meses meus caros amigos foram literalmente arrancados de minhas mãos quando estava indo para a faculdade. E toda aquela situação de perda me lembrou desse sentimento com o qual lidamos durante o tempo em que respiramos. Então vamos lá! Entrem no "Fantástico mundo da Day"!

Nós humanos sempre gostamos de sonhar em ter algo, ou alguém. Planejamos, idealizamos, e até mesmo fazemos reservas de sentimentos ou de dinheiro, seja lá qual for seu objetivo. Lutamos e suamos para conseguir nossas metas. Isso nos move! Investimos tempo, e dependendo do nosso envolvimento, investimos tudo de nós!

Finalmente está em nossas mãos! O que tanto desejamos e almejamos agora já não é mais só um projeto! É palpável! É real! Está lá! É a felicidade e a recompensa do que foi investido. É uma parte ou Tudo de nós!

Até que, a gente se descuida e alguém, que percebe nosso descuido, se aproveita da situação e rouba de nós... Rouba nossos sonhos, nossa esperança, nosso desejo de recomeçar... Esse ladrão pode ser as adversidades da vida, ou pode vir na figura de uma pessoa. A questão é que ele nos deixa de mãos vazias... Sem perspectiva... Sem ânimo... Nos deixa apenas com a dor da perda...

Porque nos descuidamos quando conseguimos o que tanto queríamos? Será que torna-se apenas mais uma conquista? Será somente para encher nosso ego? Uma vez perguntei a uma amiga: "Você está preparada para perder?", e ela sabiamente me respondeu: "Nunca estamos preparados para perder...". Nunca estamos preparados para perder... Essas palavras soam nitidamente nos meus ouvidos.

Nossa primeira reação quando perdemos é: "Não vou mais me empenhar pra conseguir outra coisa de valor. Não vale a pena! Vão roubar de novo de mim!". Naturalmente a dor da perda nos cega e não nos deixa ver que mesmo em uma situação de perda, há ganho... Pense nisso...

Desafio você a ver o que você ganhou quando perdeu alguma coisa, ou alguém... Não é fácil... Mas não é impossível.

Hoje me roubaram algo que foi difícil perder, mas eu ganhei... Ganhei este texto...


Day Lima

domingo, 16 de outubro de 2011

Prisões...

Engraçado, minhas melhores postagens foram as que fiz quando estava "quebrada" de alguma forma. Talvez ninguém nem leia o que vou escrever, mas fazer o quê, se isso é inerente a mim?! Como diz Clarice: "escrevo pra mim..." e o que estou escrevendo, é sem dúvidas pra mim...

Me sinto presa.
Sim, tenho a sensação de estar presa...
Presa a desejos e anseios que não sei se me farão bem, mas que quero viver. Contudo, não sei o que me faz mais mal, vivê-los ou não.
Presa dentro de pessoas. Por mais estranho que isso possa parecer, me sinto presa dentro de pessoas. Dentro de suas concepções, crenças, sentimentos de egoísmo, orgulho e amor. Sentimentos ponderados ou não, Está lá eu, vista como um exemplo a ser seguido em algumas áreas da vida. Estou atrelada à sua ética, moral e religiosidade. Sim, estou presa dentro de pessoas...

Mas de todas as prisões, a que me mais tem me assutado, é a minha imaturidade. Talvez eu pudesse tentar argumentar com a desculpa de que tenho medo de me tornar adulta como os que conheço. Pessoas incapazes de amar sinceramente e incondicionalmente. Que mentem com a maior naturalidade do mundo e pior que tudo, não sentem compaixão pela dor do próximo.
Não estou sendo hipócrita a ponto de dizer que não erro nos pontos que destaquei, mas posso afirmar que me preocupo com cada um deles. Essa prisão tem me feito estragar relacionamentos
e sobretudo, a crença em mim mesma em como lidar com o desafio que é viver...
Estou procurando a liberdade... E eu sei sim, que só posso desfrutá-la em meu LIBERTADOR.

Rogo pois, o meu Libertador, que abra essas prisões e me tire dessa eterna infância... Que eu possa ser uma adulta parecida com Ele, e que seja capaz de amar e me aceitar...

Morre lentamente


A morte lenta - Martha Medeiros

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece. Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru. Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos. Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos. Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo. Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar. Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante. Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe. Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.
Pablo Neruda